Depois da tempestade vem a bonança e entre 1604 e
1960, a Tailândia viveu um período de
paz e prosperidade. Houve um desenvolvimento a todos os níveis inclusive na
informação. O que sabemos de concreto sobre o muay thai surge datado desta
época. Soberanos como o rei Narai que reinou neste período patrocinaram e
promoveram o desporto em geral, especialmente esta arte, tornando-a num
desporto profissional. Nesta época muitos centros de treino de boxe foram
montados em praças. Possuíam um ringue no centro, onde era esticada uma corda para
limitar um quadrado considerado a área de luta. Os lutadores enrolavam as mãos
em cordões mergulhados em cola grossa ou alcatrão, para se protegerem. Esta
técnica chamava-se kad-chuck, ou muay kad-chuck (boxe com mãos enroladas com
cordões). Usavam também uma banda na cabeça chamada «mongkon»* e um amuleto à
volta dos bíceps, o «prajied»**. Os combates não eram divididos por pesos,
alturas ou idades.
*
Coroa sagrada, pertencente ao mestre, benzida nos sete mosteiros budistas,
colocada na cabeça do lutador antes de serem executados os rituais «wai kru» – cerimónia que tem como objectivo homenagear e mostrar o
respeito ao mestre e que começa com uma dança, coreografada com movimentos de
animais, onde o atleta dá a volta ao ringue e faz uma pausa em cada um dos
cantos, rezando uma pequena oração, terminando quando o atleta se dirige ao
centro do ringue e se ajoelha voltado na direcção do seu campo de treino, onde
lentamente une as luvas e começa a rezar pequenas orações budistas,
homenageando três entidades divinas, Buda, Sangha e Darma, ao mesmo tempo
agradecendo ao seu mestre e aos seus antepassados do muay thai – precedida de
uma breve oração, fazendo acreditar que protegerá o lutador de graves lesões e
expulsará os espíritos negativos da área de combate.
**Corda
trançada, colocada no braço do atleta, oferecida antes de iniciar a sua
carreira no campo de treino, durante o seu período de formação espiritual,
benzida pelos monges, transformando-se, a partir daí, num amuleto.

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